Tratamento Para Queimaduras

Tratamento Para Queimaduras
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Tratamento Para Queimaduras

Queimaduras

Conceito de queimaduras térmicas, químicas, elétricas ou radioativas: atuam nos tecidos de revestimento do corpo humano, determinando destruição parcial ou total da pele e seus anexos, podendo atingir camadas mais profundas como tecido celular subcutâneo, músculos, tendões e ossos.

Queimaduras

Os Principais Agentes Causais da Queimadura São:

  • Líquidos superaquecidos;
  • Combustível;
  • Chama direta;
  • Superfície superaquecida;
  • Eletricidade;
  • Agentes químicos;
  • Agentes radioativos;
  • Radiação solar;
  • Frio;
  • Fogos de artifícios.

O Que Fazer Na Hora do Acidente de Queimadura?

  • Retirar roupas ou tecidos que estejam cobrindo a área;
  • Remover cordões ou anéis antes que o edema (inchaço) piore;
  • Afastar o agente causador da queimadura;
  • Lavar a região com água corrente fria lentamente e de forma contínua por vários minutos (Essa medida deixa a região mais limpa e alivia bastante a dor no local);
  • Procurar pronto socorro e atendimento especializado;

O Que Não Fazer no Tratamento de Queimaduras?

  • Não jogar nenhuma substância sobre a queimadura. Água corrente é suficiente;
  • Não furar bolhas;
  • Não apertar e nem garrotear a região.

Grau das Queimaduras

De acordo com a profundidade da lesão, as queimaduras são classificadas em três graus.

Primeiro Grau

Afeta a pele superficialmente e não deixa cicatrizes. Há vermelhidão, inchaço e dor no local. Possíveis causas: exposição prolongada ao sol sem proteção adequada.

Queimadura - Primeiro Grau

Segundo Grau

Afeta mais profundamente a pele e pode deixar cicatrizes. Há formação de bolhas com conteúdo claro e espesso. Muito dolorosa. A pele pode ficar avermelhada ou branca rosada. Pode ser superficial ou profunda. Possíveis causas: contato com líquidos quentes (água fervente) ou superfícies aquecidas (ferro de passar, escapamento de moto).

Queimadura - Segundo Grau

Terceiro Grau

É a mais grave das queimaduras. Afeta toda a espessura da pele. Há necrose (morte dos tecidos) e a região fica com coloração esbranquiçada. Não há dor. Possíveis causas: choque elétrico, raios.

Queimadura - Terceiro Grau

Orientações Para Vitimas: Tratamento Para Queimaduras – Primeiro Grau

A sua queimadura é superficial, mas para diminuir a chance de ficar cicatriz você deve tomar os seguintes cuidados:

Primeira Semana:

  • Lave com água corrente, por 5 minutos, três vezes ao dia, com sabão neutro ou sabonete de glicerina em toda a área queimada;
  • Não é necessário cobrir a área com curativos.

Segunda Semana:

  • Aplique óleo mineral a cada 12 horas para melhorar coceira e descamação.

Da Terceira Semana em Diante:

  • filtro solar (FPS 30 ou maior) durante o dia;
  • hidratante neutro todas as noites até a melhora completa.

Orientações Para Vitimas: Tratamento Para Queimaduras – Segundo Grau

A sua queimadura foi moderada, mas pode ser tratada em casa. Para diminuir a chance de ficar cicatriz você deve tomar os seguintes cuidados: Primeira semana: – Realizar limpeza e aplicação do creme de Sulfadiazina de Prata 1% duas vezes ao dia por 7 (sete) dias. A Sulfadiazina de Prata 1% é um dos agentes tópicos mais utilizados no tratamento de queimadura, sendo recomendada em queimaduras de segundo e terceiro graus. É facilmente aplicada e removida, não provoca dor e apresenta poucos efeitos colaterais. Como um dos efeitos colaterais da Sulfadiazina de Prata 1%, tem sido relatado episódios de discreta leucopenia depois de poucos dias de uso, e de alergias em menos de 5% dos pacientes sem necessidade de interrupção do uso.

Outros cremes também utilizados são o Acetato de Sulfanamida 10%, a Nitrofurazona 0,2% e o Creme de Gentamicina 0,1% (1). O creme de Nitrofurazona 0,2% não tem sido utilizado nos Estados Unidos da América, entretanto, ainda é utilizado em nosso Servi- ço de Queimados. Apresenta ampla ação bacteriostática, embora menor que a da Sulfadiazina de Prata 1%. Em nosso serviço, quando as lesões apresentam-se limpas com formação de tecido de granulação, tem sido utilizado o creme de Nitrofurazona 0,2%, sendo que os pacientes relatam dor e sensação de queimação após a aplicação. Há relatos na literatura de que esse creme é realmente bastante doloroso à aplicação e que também apresenta toxidade ao crescimento de queratinócitos em cultura . Assim, a sua utilização em feridas limpas com presença de tecido de granulação pode ser contraindicada em razão da dor provocada após a aplicação. Esse creme pode causar dermatite de contato (prurido e edema) , fato esse também observado em nosso serviço. Com base nas recomendações desses autores e considerando os efeitos desse produto, entendemos que sua utilização em feridas limpas ou quando apresentarem crescimento de tecido de granulação não seria uma escolha adequada.

  • Evite expor o curativo a sujeira/umidade;
  • Vá ao posto de saúde com a carteira de vacinação para verificar se você precisa receber o reforço da vacina contra o tétano;
  • Retorne antes se estiver com cheiro ruim ou saindo pus;

Na segunda semana, para melhorar a coceira e a descamação, aplique óleo mineral a cada 12 horas. Da terceira semana em diante: – filtro solar (FPS 30 ou maior) durante o dia. – hidratante neutro todas as noites até a melhora completa. Você deve ser reavaliado em 3 semanas.

Extensão da Queimadura (Superfície Corpórea Queimada – SCQ)

  • Regra dos nove (urgência);
  • A superfície palmar do paciente (incluindo os dedos) representa cerca de 1% da SCQ;
  • Áreas nobres/queimaduras especiais: Olhos, orelhas, face, pescoço, mão, pé, região inguinal, grandes articulações (ombro, axila, cotovelo, punho, articulação coxofemural, joelho e tornozelo) e órgãos genitais, bem como queimaduras profundas que atinjam estruturas profundas como ossos, músculos, nervos e/ou vasos desvitalizado;

Gravidade da Queimadura

Condições Que Classificam Como Queimaduras Graves:

  • Extensão/profundidade maior do que 20% de SCQ em adultos;
  • Extensão/profundidade maior do que 10% de SCQ em crianças;
  • Idade menor do que 3 anos ou maior do que 65 anos;
  • Presença de lesão inalatória;
  • Politrauma e doenças prévias associadas;
  • Queimadura química;
  • Trauma elétrico;
  • Áreas nobres/especiais (veja o terceiro tópico do item 4);
  • Violência, maus-tratos, tentativa de autoextermínio (suicídio), entre outras.

Medidas Gerais Imediatas e Tratamento de Queimadura em Relação a Ferida:

  • Limpe a ferida com água e clorexidina desgermante a 2%. Na falta desta, use água e sabão neutro 12;
  • Posicionamento: mantenha elevada a cabeceira da cama do paciente, pescoço em hiperextensão e membros superiores elevados e abduzidos, se houver lesão em pilares axilares;
  • Administre toxoide tetânico para profilaxia/ reforço antitétano;
  • Administre bloqueador receptor de H2 para profilaxia da úlcera de estresse;
  • Administre heparina subcutânea para profilaxia do tromboembolismo;
  • Administre sulfadiazina de prata a 1% como antimicrobiano tópico;
  • Curativo exposto na face e no períneo;
  • Curativo oclusivo em quatro camadas: atadura de morim ou de tecido sintético (rayon) contendo o princípio ativo (sulfadiazina de prata a 1%), gaze absorvente/gaze de queimado, algodão hidrófilo e atadura de crepe;
  • Restrinja o uso de antibiótico sistêmico profilático apenas às queimaduras potencialmente colonizadas e com sinais de infecção local ou sistêmica. Em outros casos, evite o uso;
  • Evite o uso indiscriminado de corticosteroides por qualquer via;
  • As queimaduras circunferenciais em tórax podem necessitar de escarotomia para melhorar a expansão da caixa torácica;
  • Para escarotomia de tórax, realize incisão em linha axilar anterior unida à linha abaixo dos últimos arcos costais;
  • Para escarotomia de membros superiores e membros inferiores, realize incisões mediais e laterais;
  • Habitualmente, não é necessária anestesia local para tais procedimentos; porém, há necessidade de se proceder à hemostasia.– Linhas de incisão para escarotomia:

Trauma Elétrico:

  • Identifique se o trauma foi por fonte de alta tensão, por corrente alternada ou contínua e se houve passagem de corrente elétrica com ponto de entrada e saída;
  • Avalie os traumas associados (queda de altura e outros traumas);
  • Avalie se ocorreu perda de consciência ou parada cardiorrespiratória (PCR) no momento do acidente;
  • Avalie a extensão da lesão e a passagem da corrente;
  • Procure sempre internar o paciente que for vítima deste tipo de trauma;
  • Avalie eventual mioglobinúria e estimule o aumento da diurese com maior infusão de líquidos;
  • Na passagem de corrente pela região do punho (abertura do túnel do carpo), avalie o antebraço, o braço e os membros inferiores e verifique a necessidade de escarotomia com fasciotomia em tais segmentos.

Queimaduras Químicas:

  • A equipe responsável pelo primeiro atendimento deve utilizar proteção universal para evitar o contato com o agente químico;
  • Identifique o agente causador da queimadura: ácido, base ou composto orgânico;
  • Avalie a concentração, o volume e a duração de contato;
  • Lembre que a lesão é progressiva, remova as roupas e retire o excesso do agente causador;
  • Remova previamente o excesso com escova ou panos em caso de queimadura por substância em pó;
  • Dilua a substância em água corrente por no mínimo 30 minutos e irrigue exaustivamente os olhos no caso de queimaduras oculares;
  • Interne o paciente e, na dúvida, entre em contato com o centro toxicológico mais próximo;
  • Nas queimaduras por ácido fluorídrico com repercussão sistêmica, institua a aplicação por via endovenosa lenta de soluções fisiológicas com mais 10ml de gluconato de cálcio a 10% e acompanhe laboratorialmente a reposição do cálcio iônico;
  • Aplique gluconato de cálcio a 2,5% na forma de gel sobre a lesão, friccione a região afetada durante 20 minutos (para atingir planos profundos) e monitore os sintomas dolorosos;
  • Caso não haja melhora, infiltre o subcutâneo da área da lesão com gluconato de cálcio diluído em soro fisiológico a 0,9%, na média de 0,5ml por centí- metro quadrado de lesão, com o uso de agulha fina de 0,5cm, da borda da queimadura com direção ao centro (assepsia normal);
  • Nos casos associados à dificuldade respiratória, poderá ser necessária a intubação endotraqueal;

Cálculo de Custo Curativo:

  • CT = D x T + P x N D = Diária de Intenção;
  • T = Tempo de Cicatrização;
  • P = Preço do Curativo;
  • N = N° Curativos Utilizados.

Substitutos Temporários da Pele Biológica:

  • Homoenxertos: Banco de Pele;
  • Heteroenxertos: Pele de Porco, Pele Embrião Bovino;
  • Membrana Amniótica Mistos;
  • Base Sintética (Silicone) + Colágeno;

Autoenxerto Enxertia Precoce:

  • Até 7 dias pós queimadura;
  • Objetivo – diminuir perdas, dor e prevenir infecção;
  • Risco de perda e limitação da área doadora;
  • Autoenxertos não se pode estabelecer prazo para realização da enxertia;
  • Momento ideal – tecido de granulação, ausência de fibrina;
  • Integração ao leito receptor embebição 72 horas, tecido de granulação.

Classificação de Enxertos:

  • Enxertos de Pele Total – todas as camadas da pele são enxertadas (epiderme e derme). A área doadora sempre é suturada;
  • Enxertos de Pele Parcial – várias espessuras, sempre contém epiderme e parte da derme. A área douradora cicatriza por segunda intensão.

Curativo no Enxerto

Curativo de Brown é um curativo compressivo feito no enxerto. Em extremidades feito com fita crepe. Em outras áreas a gaze é substituída sobre o enxerto. Ele é retirado somente depois do quinto dia, quando já se deu a integração.

Curativo no Enxerto

Tratamento Para Queimaduras – Novos Curativos em Cirurgia Plástica de Queimaduras

Para queimaduras de espessura parcial, o uso de substitutos de pele através de bioengenharia, como o Biobrane, o TransCyte, o Dermagraft, o Apligraf, a cultura da pele autóloga e a cultura da pele alogênica, é seguro e tão eficaz quanto agentes tópicos, curativos ou enxerto. A segurança do Integra não foi determinada, pois um estudo relatou alta taxa de infecção e o julgamento foi encerrado. Para queimaduras de espessura total, a eficácia da cultura de pele autóloga não pode ser determinada com base nas provas disponíveis.

Queimaduras - Curativos

Quanto ao uso do oxigênio hiperbárico, levando em consideração artigos com qualidade técnica, não existem evidências significativas a respeito do seu benefício em intoxicações por monóxido de carbono, em queimaduras térmicas ou em pega de enxertos. Há necessidade de mais estudos clínicos randomizados e controlados para aplicação clínica do oxigênio hiperbárico no tratamento de queimaduras.

Queimaduras - Curativos

O uso da heparina, exceto pelo seu efeito anticoagulante, tem sido questionado no tratamento de queimadura de pacientes, principalmente no que diz respeito à cicatrização, à lesão inalatória, à sepse e à dor. A maioria dos estudos relacionados que avaliam via de aplicação e efeito sobre as queimaduras é insatisfatória quanto à metodologia. Não foram observadas evidências clínicas fortes. Mostrou menor mortalidade, taxa de infecção e melhor cicatrização do enxerto. Um segundo estudo mostrou que a heparina tópica reduziu significativamente o tempo de cicatrização das feridas. O terceiro estudo analisou o efeito da heparina tópica em queimaduras de segundo grau e concluiu menor tempo de internação, mortalidade e número de enxertos de pele. Quatro estudos citaram contraindicações para o uso de heparina em pacientes vítimas de queimaduras. Estas contraindicações foram sangramento ativo, trauma associado com potencial de sangramento, úlcera intestinal ativa, trombocitopenia, doença hepática, doenças renais ou alergia à heparina.

O tratamento para queimadura tópico em queimaduras superficiais e de espessura parcial tem sido alvo de pesquisas científicas nas últimas décadas. A sulfadiazina de prata foi usada como controle, e apesar dos resultados positivos com hidrocoloide, filme de poliuretano, outros agentes tópicos contendo prata e curativos biológicos, necessita-se de mais pesquisa para avaliação aplicabilidade clínica destes agentes.

O uso de mel foi e concluíram benefícios tanto no tempo de cicatrização quanto no desenvolvimento de contraturas secundárias.

A aloe vera também foi analisada quanto a sua eficácia na cicatrização de queimadura de primeiro e segundo graus. E, apesar das diferenças metodológicas entre os estudos, existe alguma evidência do seu benefício na cicatrização de queimadura de espessura parcial.

O curativo a vácuo é usado para auxiliar drenagem de secreções, redução das taxas de infecções e aumento do fluxo sanguíneo local. O uso de curativo a vácuo em queimadura de espessura parcial não possui evidência científica positiva na literatura pesquisada. Há apenas um artigo randomizado e controlado sobre o tema, o que nos mostra a escassez de ensaios clínicos randomizados de alta qualidade no curativo a vácuo, tratamento para queimadura de espessura parcial.

As cicatrizes hipertróficas oriundas de queimaduras profundas e extensas podem se desenvolver em pessoas que nunca apresentaram tendência a esse tipo de cicatrização. Não há evidências científicas do benefício quanto ao uso de malhas compressivas no controle de cicatrizes anormais. Por outro lado, seu custo não é baixo e pode trazer morbidade, como dor e prurido local.

A presença de alterações craniofaciais secundárias ao uso prolongado da malha em face foi aventada, porém não comprovada na literatura revisada. Apesar da pouca evidência na literatura, os autores reforçam a importância de um ortodontista na equipe multidisciplinar que atende ao paciente vítima de queimadura em face e pescoço, assim como o uso de molde intraoral para manter a correta oclusão dentária.

A prevenção de acidentes domésticos continua sendo uma das medidas mais eficazes na redução das queimaduras. Programas de educação continuada, principalmente em escolas e em comunidades carentes, o uso de detectores de fumaça, além de mudanças na legislação são capazes de reduzir a incidência de queimaduras.

Crianças, em idade inferior a 14 anos, são vítimas frequentes de queimaduras e de escaldos. Há um número muito limitado de estudos que permitam tirar conclusões sobre a eficácia dos programas de prevenção de queimaduras e de escaldos na infância, mais estudos são necessários para sua certificação, visto que programas de prevenção de curto prazo não se mostraram efetivos.

Das revisões sistemáticas protocoladas, duas se referem à nutrição do paciente vítima de queimadura, uma sobre tratamento tópico de queimaduras de face, uma sobre tratamento do prurido relacionado à queimadura e uma sobre o uso de epitélio autólogo cultivado no tratamento da área queimada.

Quanto Custa Um Tratamento Para Queimaduras?

O custo em relação ao tratamento para queimaduras é uma das perguntas mais frequentes que recebemos na nossa página do site e através dos nossos telefones. É bem difícil encontrar também esta resposta na internet, a não ser que um paciente revele, e mesmo assim, o valor varia de pessoa para a pessoa por diversos motivos. A prática de divulgação de valores do tratamento para queimaduras é vetada pela lei. Segundo a RESOLUÇÃO 1.974/11 do CFM, 6. Proibições gerais – XIV: (…) é vedado ao médico: divulgar preços de procedimentos, modalidades aceitas de pagamento/parcelamento ou eventuais concessões de descontos como forma de estabelecer diferencial na qualidade dos serviços.

Em relação ao valor variar de pessoa para pessoa e de clínica para clínica, conforme a RESOLUÇÃO CFM Nº 1.836/2008, Art. 3º: Cabe ao médico, após os procedimentos de diagnóstico e indicação terapêutica, estabelecer o valor e modo de cobrança de seus honorários, observando o contido no Código de Ética Médica, referente à remuneração profissional. A clínica e o cirurgião plástico não vendem um produto e sim um serviço, e esse serviço é personalizado, cada paciente vai ter a sua particularidade, um diferente resultado, uma complicação de saúde que merece atenção redobrada, uma expectativa e até mesmo métodos diferentes para o mesmo procedimento em outra pessoa, por exemplo.